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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Domingo

Domingo


Nos domingos, ao anoitecer,
quanto todos já se foram
e a música baixa é trocada
pelo silêncio de um programa de tv

Nesses dias é que me sinto humana
porque descubro que preciso de colo
que desejo um beijo saboroso,
lento e leve, com gosto de amor...

Nos domingos à noite, eu choro,
pois quando as crianças já pararam o barulho
e todo o silêncio mora dentro de mim
é que minha alma grita, em desespero

Nesses dias eu sou pura inveja
desejo o namorado que não é meu
o marido que não terei, é seu
e todo o pudor do mundo, para amar

Então me entrego à gula: ao vício.
Bebo, fumo, cheiro, como chocolate branco
e vejo um filme romântico e retardado
e venho aqui escrever um poema

Domingo à noite, eu sou só e sozinha
como ninguém merece ser, nem eu
sou somente uma menina, uma criança
que lembra que cresceu rápido demais

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sou lixo




Sou lixo delicioso que você compra
Consome escondido
Tem medo
Goza
Se enoja
Descarta
Eu me reciclo
Outras vendas
Pra outro você
Hipócrita

Sou lixo, lixo
A cada uso, reciclada
Num banho que não limpa
Num banho que não lava
Lixo que nunca volta a ser igual
Ao objeto original
Objeto que você consome
Numa busca louca de prazer
Mas quando goza, só goza
E depois se enoja
De me desejar
De precisar de meus lábios sujos
Se sujar em minhas fendas
Moral já suja, que se mistura à minha

Sim, eu sou um lixo
Um lixo delicioso
Um lixo reciclado
Mas me vendo pra você
Para pessoas como você
Eu sou lixo
Sou lixo
Sou lixo
Mas não sou hipócrita
A hipocrisia... hipocrisia
Ela, eu deixo pra você.